Blog do Nilber Santiago

Singular e Plural

Posted by Hotel Palmeira on 17 de maio de 2008 in Sem categoria with No Comments


Eu, cidadão pós-moderno, criativo e transformador, transito do patológico quase absoluto à normalidade ideal, como num surto, vivo em passeio por alguma, algumas, quiçá, todas as formas de loucura, mas de leve, assim meio na contramão… tenho impulsos meio absurdos e impensados…defeito? Me perdoem: de repente me irrito, saio do prumo e nem sei porque, saio da normalidade e da pseudo-tranqüilidade que busco a todo custo manter, e por qual razão seria?… e uma avalanche de culpa me enche a alma e o coração… as almas me instigam, as mentes me intrigam… amo intensamente, mas assim meio atrapalhado, perco-me no meio do caminho e acabo sempre sozinho… entre ser ou não ser, prefiro e pago o preço de ser os dois: ser e não ser… minha alegre tristeza e meu complexo de Dorian Gray… eu me defino por indefinições, de certezas cheias de dúvidas… e tudo é tão relativo… eu assim borderline, dum tipo bem brando, eu com minha outra forma de normalidade… uma pessoa comum, mais um filho de Deus, minh’alma em carne viva, chaga da sina deste viver… nem neurótico, nem psicótico, meio assim analógico analisando meu crivo digital tatuado numa alma em constante ebulição… minha revolução contida e sem limites, em trânsito pelas fronteiras da normalidade e insanidade divinas, que sendo de Deus, mesmo que seja “loucura”, será mais sábia que a dos homens. E como diria Rita Lee: “Estou em todas e não sou de nenhuma…”, na subjetividade contemporânea, farinha purificada, na profundidade e sensibilidade de conhecer até meu próprio inconsciente, e do outro também? Pretensão? Senha da permeabilidade, identificação continua com o próximo, cúmplice das varias potencialidades de todos nós, na busca laboriosa do conhecimento de si e do outro, afetos e sentimentos, projetando e introjetando a vida de todos nós como em espelhos.

Instabilidade

Tudo é um instante
Tudo num instante
Num instante
Num instante tudo se resolve
Num instante tudo se dissolve
Volve vai vem move
Muda tudo
Tudo fica mudo
Tudo muda
Muda tudo
Prá melhor
Prá pior
Por mal
Por bem
Num instante
O instante
Lentamente
Rapidamente
A gente
Os outros
A mente
Num sopro
Instantaneamente
Tudo vai
Tudo vem
Tudo foi
Tudo é
Num instante
Mesmo que distante
Aquele instante
Neste
Naquele
No mesmo instante
O mesmo instante
De repente

O passado passarou

Passando o passado
Num vôo
Passarinho, passarada…
Conforme queiras ou querias
Na conformidade da conformação
Conforme forma o tempo
A forma do esquecimento
Este é o meu lamento
Lamento, não minto
Lamento, sinto

Passarinho passarada
Passando o passado a limpo
Ninho, nada
Passando o tempo sozinho
Vai passado: uma estrada
Vai passando uma estrela
Não vai ficando quase nada
Vai ficando na estrada
Estrela, cometa
Passarinho, passarada
Passando na estrada
Vôo do tempo
Caminhada
No caminho ficou nada
Quase nada
Só o carinho
No caminho
Pela estrada

Hábil

Ninguém te supera
Cannabis ou cana
Tua gana
Teu jeito sacana
Assim metido a bacana
Teu brilho
Teu brio
Teu breu
Teu eu

Amar o amor

Imenso mar
O mar amor
Se imenso for
Por amar amar
Amar o amor
Amar amar
É mar de dor
O mar amor

Plágio

Me encanto
Pelo desencanto de alguns
Morte de mim
Do meu errante coração
O plágio do sempre engano
Meus desencontros
Desenganos
Engodos
Iscas do viver
Meus desencontros

“Sorte”

Sortiu
O surto
Surdo
Na surdina
Sorteando a sorte
Das vidas

Morte e vida
Morte em vida
Morte vivida
O mote da vida

No dia a dia
Adiantando o tempo
Adiamento
Tempo tempestuoso
Adiantamento, eu diria

Janela aberta
Loucura esperta
A cura… A lógica
Psico-Lógica
Curando o curare
Sem cura

Liberta o ódio
O erro
O desconcerto
Consertando o rumo
Trilhos e prumo
Humor amorfo
Forma de vida
Fórmulas pra vida
Libertação
A solução prás fórmulas sem solução

Estrada

Havia uma estrada
Breu e luz
Coragem e medo
Um surto
Um não
Um susto
Palavras…
Palavras absurdas…
Meia volta
Volver

Bem-mal

Liberta-me do teu julgo
E não me julgues
Liberta-me
Deixa-me livre
Deixa-me sem ti
Sentir como é sem ti
Sem tortura ou vingança

Deixa-me a sós
Deixa-me só
Só, sem ti
Só sentir
Sem teu mal
Sem dó
Vai-te
Perdoa-me
E vai
Vai
Deixa-me
E deixa-me ser melhor
Ser melhor
Sem ti

Malandragem

Brinquedo
Segredo
Bacana
Sacana
Rebuliço
Feitiço
Não
Contramão
Medo
Arremedo
Ciúme
Costume
Cachaça
Fumaça
Taco
Teco
Inteligente
Demente
Artista
Parasita
Do contra
Pilantra
Contente
Doente
Liberdade
Verdade
Tesão
Tensão
Mascarado
Sagrado
Sangrado
Atenção
Confusão
Coluna
Loucura
Tortura
Rotina

A caixa de pandora

Verbo rasgado
Palavra rasgada
Sangue
Palavra em sangue
Verborragia

A palavra sagrada
Sangrada
A hemorragia das palavras

Sanguessuga da alegria

Poemas rasgados
Por que seria?

Caixa de lixo
Pior seria?

Elo perdido

Eu não me conheço
Não mais me reconheço
Em quem eu sou agora
Algo de mim morreu em vida
Eu não sou mais eu
Por onde anda eu
Que não estou mais em mim?
Onde foi que eu me deixei?
Onde foi que eu fiquei
Para eu ir ao encontro de mim?
Eu que eu não mais me reconheço no pouco ou
Nada que sobrou de mim?
Eu que não mais existo agora existindo em mim

Sensibilidade

Será que depende da idade?
Ou não?
Será pela contramão?
Será verdade?
Será fatalidade?
Será que dura uma eternidade?
Será que é só saudade?
Será verdade?
Ou mentira?
Será que tira do sério?
Será que atira no alvo
E acerta? Ou erra?
E vai tudo em terra?
Será que se sente?
Será que é fruto ou semente?
Será que é só na mente?
Será que é só com a gente?
Será gente?
Mas gente
Será o que?
Quem será?
Será que e só na gente?
Será sensitiva?
Será nutritiva?
Será viva?
Ou será que seca, cega, mata, mata
Matando e faz a gente morrer sentido
Ou será que é sem sentido?
Ou será que é só sentindo?
Será emocional?
Será fatal?
Será hereditária?
Será um sopro um sussurro?
Será dor? Ou por amor?
Deve ser coisa divina de mortal

Relevo

Eu
Tímido que sou
Não te revelo um segredo
Assim meio por zelo
Prá guardar só pra mim
Atropelo palavras
Emudeço
As vezes quase te digo
Mas calo
Emudeço
Assim meio por zelo
Prá guardar só pra mim

Esfinge

Teu vulto
Decifro ao longe
Ao dobrar a esquina
Ao cruzar a ponte
Ao descer do alto
Ao subir pro monte
Ao seguir em frente
Vulto enigma
Esfinge fantasma
Rondando meus dias
Saudades ao anoitecer

Mistério

Mistério
Magistério da vida
Megatério
Escalada do tempo
Mistério conflituoso
Dúvida e certeza
Ebulição

Tempo

O tempo passa
Passando
Assim de leve
Soprando
Sopra um sussurro no ouvido e já foi
Tão rápido
Tão prático
Decidido
Imperceptível
Inexorável
Cruel

Descompasso

No traço
Do meu compasso
Traço tempo
Traço espaço
Traço linhas
Traço círculo
Traço
Triângulo
E retângulo
Traço meu passo
Traço reta
Traço curva
No espaço
No passo
Do meu compasso
Passo
Fico
Vou
No compasso
Do meu passo
Passo
Sem compromisso?
Posso?

Saudade

Dora
Dourada menina
Dori
Hoje a luz do sol
Doce
Cândida lembrança
Cadeiras na calçada
Um beijo adolescente
Sonhos
E de nós não esquecer
Ela
Alva criança
Ela e eu
Dora Dori Dori-Eli

E não há morte
Já que eterno o amor amar
Um mar de amor amar
Mas saiba
Que no brilho do sol
Eu te encontro de novo
Em cada amanhecer